5 de junho de 2008

A educação brasileira agoniza!

A educação brasileira está na UTI, respirando por aparelhos. Depois do desempenho medíocre no PISA (Programme for International Student Assessment), temos a péssima notícia de que o Brasil tem regredido na tarefa de garantir que todas as crianças completem um ciclo básico de ensino.
Motivos para o fracasso da educação brasileira não faltam. As crianças de famílias pobres, por exemplo, enfrentam dificuldades de diversos tipos (transporte, saúde, necessidade de trabalhar para complementar a renda da família)."A família dessas crianças não tem como custear a permanência em um lugar em que não estão aprendendo nada, e elas acabam deixando a escola”, afirma Tatiana Filgueiras, especialista em administração do terceiro setor e coordenadora de avaliação e desenvolvimento do Instituto Ayrton Senna.
Mas, o PISA é uma avaliação que abrange alunos das escolas públicas e privadas e o Brasil ficou muito atrás de outros países sul-americanos. Em uma lista de 57 países, o Brasil ficou em 54.º no ranking geral, sendo o pior da América Latina e atrás, por exemplo, da Colômbia.
O Ministério da Educação defende um aumento de verba para a Educação, com o objetivo de investir em infra-estrutura, currículo, livro didático, alimentação escolar e a informatização das escolas. "Mas se tivesse de eleger uma entre as principais ações seria a questão do professor. Valorização, formação continuada e aquilo que está incluído no compromisso de metas Todos Pela Educação, a responsabilização. Não só do professor, mas de todos aqueles vinculados ao processo educacional", afirma Tatiane Filgueiras.
A especialista tocou no ponto nevrálgico da questão: a valorização do profissional da educação. O professor brasileiro é um profissional desvalorizado, desmotivado e desrespeitado, pois a sua função, atualmente, vai muito além do que o simples ministrar de aulas. A grande queixa dos educadores é com a inversão de valores, pois uma sociedade doente produz famílias desestruturadas, o que obriga a esses profissionais a administrarem, também, os problemas mentais, emocionais, psicológicos, comportamentais e de drogas dos nossos jovens. É um fardo pesado demais para uma só pessoa.
Nas escolas públicas, além conviver com a violência e a precária infra-estrutura, os professores não contam com a participação das famílias. Na maioria das escolas particulares, o objetivo das famílias é que não haja reprovação, pouco atuando para que o jovem tenha um compromisso efetivo com o estudo.
A professora do Departamento de Educação da PUC-Rio, Isabel Lélis concluiu recentemente uma pesquisa, com o apoio do CNPq, sobre a profissão do professor na rede pública. Ela confirma que o clima entre os docentes das escolas públicas é de abandono.”Sem o aparato de uma política educacional e com as famílias cada vez mais distantes, sem acompanhar os alunos, cria-se no professor uma sensação de isolamento, de solidão. É equivocado pensar que os docentes não querem se aperfeiçoar. Com as condições atuais, eles não podem”, afirmou.
Segundo o jornal O Globo, de janeiro a abril deste ano, a rede estadual de ensino do Rio de Janeiro registrou uma média mensal de 5639 profissionais de educação afastados por problemas de saúde. "Na sala de aula, às vezes tenho a sensação de que não existo, tamanho é o desinteresse dos alunos. Meu trabalho parece inútil, desacreditei da Educação", afirmou um professor de Matemática. Vale lembrar que no Estado do Rio de Janeiro o salário do professor está defasado em, pelo menos, 10 anos.
Outro dado importante, sobre o sentimento de frustração do professor brasileiro com a sua profissão, é o relatório da Unesco. Segundo o órgão os professores brasileiros, com exceção apenas de seus colegas uruguaios, são os mais insatisfeitos com seus salários, no comparativo entre 11 países em desenvolvimento.
Todos esses dados são sintomáticos: a escola reflete a organização e atuação da sociedade. O que se pode esperar de uma sociedade fragmentada, que convive diariamente com a violência e a impunidade? Como uma sociedade pode ser atuante se os seus governantes, parlamentares e autoridades estão envolvidas com todos os tipos de crimes e delitos?
Infelizmente, o professor brasileiro não conseguirá sozinho eliminar a ignorância. Todos são unânimes em afirmar que a Educação é fundamental, no entanto, ninguém se preocupa em ajudar o professor no seu trabalho. Quem sabe a partir de agora caiba ao professor adicionar às suas funções, uma nova tarefa: a de milagreiro.

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